
Na cabeça dos profissionais de imprensa a expressão Espiritismo, para eles, identifica uma religião, nada mais que uma religião, concorrente das demais, que se comporta como as outras, apenas com visões diferentes em algumas questões, mas sendo apenas uma religião.
Religião obriga, proíbe, impõe, cerceia o direito de opinião das criaturas, não costuma respeitar a Liberdade das pessoas, diz o que elas devem e que não devem ler e em grande maioria não suportam que os seus adeptos estudem demais, pesquisem, façam suas buscas, questionem e muito menos discordem.
Quanto mais desinformado o seu adepto, melhor.
O Espiritismo não admite nada disto.
Ele não veio ao mundo com objetivo de ser religião, muito menos para competir com nenhuma delas. Pelo contrário, veio para que os seus postulados servissem a todas as religiões. Terminou “virando religião” na cabeça de muita gente, por vários motivos:
A proposta do Espiritismo é de Educação, sobretudo no aspecto moral, objetivando fazer do homem hoje melhor que ontem, amanhã melhor que hoje, progredindo sempre com dignidade, fazendo às criaturas o que gostaria que fosse feito com ele, ao mesmo tempo em que não deve fazer o que não quer que façam com ele.
Espiritismo Kardecista. Isto nunca existiu.
Os comunicadores sempre utilizam essa expressão, “Kardecista”, para identificar o que eles chamam, também equivocadamente, espiritismo “mesa branca”, “linha branca”, “alto espiritismo” etc... numa concepção absurda de que existem várias vertentes do Espiritismo, dentre elas a Umbanda, o Candomblé, a Cartomancia, a Quimbanda e outras práticas espiritualistas que, embora merecedoras do respeito de todos nós, têm suas identidades próprias, suas práticas, seus princípios e seus rituais que nem sempre tem a ver com práticas espíritas.É importante que os comunicadores e formadores de opiniões saibam que a palavra Espiritismo foi “inventada” exatamente na época em que esta nova proposta filosófica foi sugerida ao mundo no meado do século XIX, exatamente para identificar esta doutrina conforme os seus postulados, que não tem velas, rituais, altares, defumações, obrigações, proibições, cerceamento do direito de expressão e nem da liberdade das pessoas.
Mentira. O Espiritismo não ensina nada disto.
O Espiritismo não é doutrina da masoquistas, jamais seria insensato em dizer pra ninguém que sofrer é bom. A grande verdade é que para o Espiritismo a Terra é uma escola, uma universidade e não uma penitenciária. Nós estamos aqui para aprender, para adquirir experiências, para crescer, evoluir e não para sofrer. Como em toda escola há alunos que levam os estudos mais a sério, Sobre a reencarnação
Não é coisa inventada pelo Espiritismo, é conhecimento milenar, admitido por mais de dois terços da humanidade. Há espíritas que se limitam a serem apenas religiosos, os quais, sobre este assunto, apenas crêem na reencarnação, já que crer é um verbo muito conjugado pelo universo religioso.
Mas há também espíritas de um outro nível, que não se admitem apenas crendo por crer, aceitando só porque tem que aceitar coisa alguma, que nesta questão de reencarnação não se limitam a dizer “eu acredito” na reencarnação e sim eu sei a reencarnação, porque testaram, estudaram, comprovaram, checaram, pesquisaram, concluíram sem qualquer vinculação a aspecto religioso nenhum.
Não tem nada a ver como crer ou não crer.
Infelizmente nem todos os espíritas têm condições de dizer eu sei, limitando-se apenas ao “eu acredito”, exatamente por causa daquela opção excessivamente religiosa que falei, sem maiores preocupações com comprovações lógicas e sensatas.
Espíritas obedecem ordens de espíritos?
Não. De forma alguma.
Em princípio as reuniões mediúnicas não representam nem 5% das atividades espíritas. A grande maioria das pessoas que freqüentam um centro espírita não participa dessas reuniões. Quando elas acontecem, espírito nenhum se atreve a dar ordens e muito menos impor coisa alguma, porque sabe muito bem que está diante de pessoas que estão com os “olhos bem abertos” pra eles, preparadíssimas para identificar as suas naturezas, os seus objetivos e, sobretudo, o conteúdo das mensagens que trazem.
Coisas que o povo imagina, mas os espíritas não fazem
Acender velas e defumadores. Não existe isto no Espiritismo, nunca existiu. Outras práticas espiritualistas admitem, mas o Espiritismo não.
Uma senhora entra em desespero, pela morte do seu marido, “ouviu dizer” que o Chico Xavier recebia cartas de pessoas falecidas, de repente resolve mandar E-mail para um espírita ou pedir para que espíritas a levem a um centro para receber uma mensagem do seu ente falecido ou para ter notícia de como ele está.
O Espiritismo não se presta para isto. Centro espírita nenhum é agência de uma possível EECT (Empresa Espiritual de Correios e Telégrafos). Se alguma pessoa, que se diz espírita, incentiva isto, está fraudando. As reuniões mediúnicas dos centros espíritas não têm esse objetivo, os espíritos não estão a nossa disposição conforme as nossas conveniências e nem as comunicações de entes desencarnados acontecem por causa do desespero e da saudade dos seus entes que ficaram.
Todo centro espírita é coerente com o Espiritismo?
Também não.
É bom deixar claro isto aqui, já que estamos falando em bom senso e coerência. Pelo fato do Espiritismo não ter Papa, não ter Cardeais que determinem como cada centro espírita deve se comportar e não ter qualquer tipo de punição a quem não obedece normas estabelecidas a partir de algum órgão centralizador, encontramos centros espíritas aí funcionando conforme a cabeça dos seus dirigentes, nem sempre compatíveis com a essência espírita.
Por causa da liberdade de ação mal interpretada, nem todo centro espírita age conforme os postulados da doutrina, daí a existência do “espiritismo à moda da casa”.
Postado por Francisco Amando

