Desde o lançamento do Espiritismo, em abril de 1857, através da edição de "O Livro dos Espíritos", que não paira dúvida quanto à necessidade do estudo metódico, sistematizado, dos princípios que formam a doutrina, por isso que campanhas como "Comece pelo Começo", "Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita" e outras estão sempre sendo estimuladas no movimento espírita.
O estabelecimento de semanas espíritas, seminários, congressos, workshops e outros eventos semelhantes, propiciam o debate das idéias, a apresentação de estudos, a troca de opiniões, tornando-se ferramentas muito úteis para a compreensão doutrinária.
No âmbito do Centro Espírita devemos destacar as reuniões públicas de palestras, os grupos de estudo, os cursos doutrinários, espaços generosos para que todos tenham oportunidade de estudar e ampliar os conhecimentos.
Ainda temos que destacar o crescimento da literatura espírita, com autores encarnados e desencarnados ofertando obras as mais diversas, em todos os campos do conhecimento e nas mais variadas formas literárias, para ampliação do conhecimento espírita.
Entretanto, apesar de tudo, temos tido a desagradável experiência de constatar o predomínio da ignorância doutrinária, da falta de estudo.
Em seminário com dirigentes espíritas, num total de sessenta pessoas, apenas meia dúzia confirmou já ter lido por completo "O Livro dos Espíritos", a obra básica, indispensável para o conhecimento correto do Espiritismo.
Em outra ocasião, num grupo de estudo composto por vinte pessoas, que se reúne há vários anos para os estudos da doutrina, apenas quatro pessoas confessaram ler mais de doze livros por ano, ou seja, possuem média de leitura de um livro por mês. Pouca leitura, pouco conhecimento, problemas na prática doutrinária.
Mesmo os Centros Espíritas, na área do estudo, estão com problemas. Apesar da generosa oferta de espaço físico, de dias e horários vagos, centenas, talvez milhares de centros espíritas não dispõem de grupos de estudo sistematizado, não possuem cursos doutrinários na grade de suas atividades.
Limitam-se, perigosamente, às palestras públicas, às vezes não mais do que duas vezes por semana. Conhecemos casos em que os evangelizadores da infância e juventude reúnem-se na casa de um deles para realizar seus estudos, porque não conseguiram autorização para utilizar as dependências do próprio centro para essa tarefa.
Os dirigentes espíritas precisam reconhecer a importância do estudo doutrinário, incentivando a formação da biblioteca, da livraria, dos grupos de estudo e dos cursos dentro do Centro Espírita, pois se assim não acontecer estaremos penalizados pela ignorância, pela deturpação dos conceitos e pelas práticas estranhas ao Espiritismo.
É urgente conscientizarmos freqüentadores e trabalhadores da necessidade da leitura, mas entendendo o livro espírita como fonte profunda de conhecimentos, pois grande maioria lê como se estivesse sempre diante de um romance agradável, do qual, logo após a leitura, nem se lembra o nome.
Estudar o Espiritismo é de suma importância, primeiro, para nosso aprimoramento, segundo, para a boa prática no centro espírita. A conseqüência imediata é o progresso do grupo de trabalho, e depois, se não ao mesmo tempo, o progresso coletivo da comunidade do entorno ao centro, recebendo as benesses de um grupo ativo, dinâmico, arejado, de firmes bases doutrinárias.
Pensemos seriamente sobre o estudo doutrinário. O que fazemos da doutrina espírita é responsabilidade individual e coletiva, da qual responderemos, e os quadros de falência pessoal estão estampadas nas obras espirituais, via mediunidade. Precisamos urgentemente mudar esse quadro.

