Por Henrique Gil
Há duas vertentes principais na lei mosaica: a lei de Deus (divina) e a lei dos homens (civil). A primeira permanece imutável, e está criada para a harmonia da natureza e melhoramento moral dos seres pensantes, além de existir em todas as sociedades e pertencer a todos os tempos. A segunda muda de acordo com as necessidades sociais de cada época e está suscetível a interpretações diversas.
A lei de Deus está formulada nos dez mandamentos forjados no Monte Sinai, e apenas por convenção copiarei tal como está no Evangelho (1997, p. 33-34):
I. Eu sou o Senhor, nosso Deus, que vos tirei do Egito, da casa de servidão. Não terei outros deuses estrangeiros diante de mim. Não fareis imagem talhada, nem nenhuma figura de tudo o que está no céu e embaixo na Terra, nem de tudo o que está nas águas sob a Terra. Não os adorareis nem lhes rendereis culto soberano.
II. Não tomeis em vão o nome do Senhor vosso Deus.
III. Lembrai-vos de santificar o dia de Sábado.
IV. Honrai o vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na Terra, que o Senhor vosso Deus vos dará.
V. Não matareis.
VI. Não cometereis adultério.
VII. Não furtareis.
VIII. Não prestareis falso testemunho contra vosso próximo.
IX. Não desejareis a mulher do vosso próximo.
X. Não desejareis a casa do vosso próximo, nem seu servidor, nem sua serva, nem seu boi, nem seu asno, nem nenhuma de todas as coisas que lhe pertencem.
Estas são as leis divinas, e há quem diga que foram ditadas a Moisés através do espírito de Jesus, o qual estava sendo preparado para a entrada na atmosfera terrestre, anos mais tarde. Todas as demais leis mosaicas foram estabelecidas para controlar a turbulência social da época.
Jesus veio complementar a lei de Deus, modificando profundamente as leis de Moisés. Para tanto, resumiu todos os dez tópicos acima em um único: “Amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”. (KARDEC, 1997, p. 35)
Ademais, este missionário veio cumprir seu papel mostrando aos homens que a verdadeira vida está no reino dos céus, além de ensinar o caminho para a reconciliação com Deus.
No entanto, não disse tudo o que poderia. Primeiro porque seus ensinamentos já continham uma grande densidade de conhecimento e já seria necessário tempo para digerir tais informações. Segundo porque a ciência deveria complementar o desenvolvimento das ideias e maturidade espiritual humanas. Era preciso mais tempo para que a ciência se desenvolvesse.
Dado esse tempo, o Espiritismo surge para mostrar como a natureza espiritual é somente mais uma das forças naturais, interagindo incessantemente com a natureza material. “O Espiritismo é a chave com a ajuda da qual tudo se explica com facilidade” (KARDEC, 1997, p. 36).
Ao contrário das duas revelações anteriores, a Doutrina Espírita não está centrada em apenas uma pessoa ou um livro, mas é fruto de ensinamento dado pelos espíritos, em todas as partes do globo, com inúmeros intermediários. Ou seja, sua compreensão se dá de forma coletiva, de forma a fazer com que os seres humanos tenham ideia do que os espera após o desencarne.
O Espiritismo veio dar cumprimento à lei de Cristo.
“Ele não ensina nada de contrário ao que Cristo ensinou, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros para todo o mundo, o que não foi dito senão sob a forma alegórica; vem cumprir, nos tempos preditos, o que Cristo anunciou, e preparar o cumprimento das coisas futuras.” (KARDEC, 1997, p. 36)

